Doutrina da Justificação Pela Fé

Introdução

Como pode o pecador ser justificado perante Deus? Não há verdadeira paz ou alegria enquanto nossa consciência nos acusar de pecado. Para esclarecer questão de tão grande inportância, veremos qual é o fundamento geral da doutrina da justificação, o que é justificação, quais são os justificados e em que termos eles são justificados. E por fim, quais são as obras da fé.

Textos bíblicos

• Romanos 5:1-11: Deus providencia o meio de pagar nossa dívida em relação a Ele, pelo sacrifício de Jesus Cristo. Aceitar, crer, receber, apropriar-se dessa misericórdia de Deus, é ter fé. E somente pela fé podemos ser justificados.

• Efésios 2:1-10: Estávamos condenados a morte, ao tormento e à escravidão do pecado. Deus nos tira dessa terrível situação porque nos amou, mesmo sendo nós ainda pecadores.

• Romanos 3:21: O texto mostra que o ser humano poderia cumprir toda a lei e não ser salvo se não tivesse fé que Deus o justifica através de Jesus Cristo.

• Hebreus 11:6: O texto desse livro bíblico relata fatos ocorridos com várias pessoas movidas por um fator em comum: a fé. Elas criam no poder de Deus. Por isso foram até Ele, andaram, viveram e participaram do seu poder.

a – Fundamento geral da doutrina da justificação: A pessoa humana foi criada à imagem de Deus: santa, pura, misericordiosa, perfeita, incorruptível como o próprio Deus. A ela Deus deu uma lei perfeita, exigindo plena obediência a ela. Mas o ser humano desobedeceu a Deus. O pecado, então, destrói a comunhão com Deus, faz o ser humano decair da graça divina e estar sujeito ao juízo e à ira de seu Criador.

Aí está o fundamento da doutrina da justificação: “o juízo veio sobre todos os homens para a condenação”. Porém, Deus providencia um meio de reconciliação, mediante o sacrifício do “segundo Adão”, nosso representante, Jesus Cristo. Pela redenção que há em Cristo, fica preenchida a condição imposta. Não há mais condenação.

b – O que é justificação: A clara noção bíblica da justificação é o perdão de pecados. É o ato de Deus Pai, pelo qual, em atenção ao sacrifício de Jesus por nós, mostra sua justiça (ou misericórdia), perdoando-nos os pecados. Estes pecados são cancelados. Cristo tomou sobre si as nossas culpas. Sofreu, imerecidamente, em nosso lugar. Assim, estamos reconciliados com Deus mediante o sangue de Cristo.

c – Quais são os justificados? Jesus disse que os justos não precisam de arrependimento. Somente aos pecadores cabe o perdão. Deus justifica o pecador de toda espécie e categoria. É para com a nossa injustiça que o Deus perdoador é misericordioso, é de nossa iniquidade que Ele não se lembra mais.

5 – EM QUE TERMOS OU COMO SÃO OS PECADORES JUSTIFICADOS?

Sob uma condição o ser humano pecador é justificado: pela fé. Ele precisa crer naquele que justifica o pecador, pois “aquele que crer não é condenado”pois já “passou da morte para a vida”.

A fé implica não só na convicção de que Deus reconcilia o ser humano consigo mesmo através de Jesus Cristo, mas também na confiança de que Cristo morreu pelos nossos pecados, já que ele amou a cada um de nós e se entregou ao sacrifício e em nosso lugar. Deus por amor de seu filho, perdoa e absolve o ser humano que até então nada pudera apresentar de bom.

O arrependimento, que antecede a fé, é um profundo sentimento da ausência do bem e a consciência da presença do mal. Só a fé traz o bem. Primeiro a árvore se torna boa; depois os frutos se fazem bons.

6 – AS OBRAS DA FÉ

Nenhuma obra, de que excelência for, pode tirar os nossos pecados, nem suportar a retidão dos juizos de Deus. Nós, metodistas, cremos que a justificação de nossos pecados se dá pela fé em Cristo Jesus. E não aceitamos que as boas obras substituam esta atuação de Cristo. As obras para este fim são inúteis (Lc 17:7-10; Rm 27:31).

No entanto, uma vez justificados, nossa fé em cristo é testemunhada em obras (=serviços). Como parte do Corpo de Cristo somos chamados e preparados para dar bons frutos. São estes que revelam a natureza, a profundidade e a extensão da nossa fé.

Os protestantes, em geral, enfatizam de tal modo a justificação só pela fé, que tendem a esquecer ou menosprezar a importância do serviço, do engajamento do crente.

7 – OUTROS PONTOS A SEREM CONSIDERADOS:

a) Se as nossas obras, sejam quais forem, buscam no íntimo o louvor e a glória para o nosso próprio nome, ou acúmulo de méritos pessoais, nenhum valor têm, pois não foram feitas NO e PARA o Senhor. Não vêm d’Ele. Ele não as aceita.

b) Nenhum esforço ou empenho feito através das obras (serviço), consegue satisfazer todas as exigências da lei.

c) Não existe contradição entre os ensinos de Paulo e Tiago, em suas colocações sobre a fé e obras. Os ensinos se completam e nos ajudam a reconhecer que a nossa salvação é pela fé e que esta fé se manifesta, se dá a conhecer, em obras de amor.

Não se concebe o cristianismo sem fé e sem obras (o serviço agradável a Deus e ao próximo).