Discipulado: Leveza e liberdade!

A nota mais característica de Jesus na sua pedagogia é o respeito à liberdade. Jesus não impõe, não força; mas propõe, espera e confia, mesmo quando os/as discípulos/as falham. Em vez de cansar os/as seus/as discípulos/as com normas, abre horizontes e mostra caminhos. Todos têm uma caminhada a fazer, uma conversão a realizar, uma esperança para construir.

Ele é mais estimulador de aspectos positivos do que apontador de aspectos negativos. Reserva a repreensão quando falta o essencial, ou seja, o amor, ou quando manifestam certos critérios mundanos sobre o Reino. Contudo, mesmo quando isso ocorre, o mandamento do amor não deixa de ser a única norma do grupo, então se torna viável afirmar que Ele é mais dinamizador de esperanças do que controlador da realidade.

Discipular, para Jesus, era formar cabeças com ideias vindas diretamente de Deus, que transmite pensamentos e caminhos mais altos do que os nossos. A escola de discípulos que Jesus fundou foi itinerante. Ele não tinha prioridade acadêmica, mas, sim, a formação do caráter, da lealdade e do serviço ao Senhor.

O Filho de Deus uniu-se de algum modo a toda pessoa humana, trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com coração humano. Nascido, tornou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado.

Jesus, entre tantas mensagens, expressou significativamente: “Assim como o Pai me enviou, eu vos envio (…) a evangelizar, fazer discípulos”. Evangelizar, no sentido estrito do termo, é anunciar a todas as pessoas a salvação, mediante a aceitação do sacrifício de Cristo e arrependimento dos pecados, fazer discípulos/as no sentido de permanência e passar adiante não só o que aprenderam mas o que viveram com o mestre.

Algumas exigências de Jesus com relação ao discipulado também são exigências para este mundo contemporâneo que compreende em gerar, formar e acompanhar discípulos/as, as pessoas precisam ser devidamente acompanhadas, para que apresentem o fruto de uma vida de testemunho.

No contexto atual, precisa-se de um referencial para que o nosso discipulado seja eficaz. Jesus é o nosso supremo exemplo de como recrutar discípulos/as e multiplicá-los/as. Porém, alguns/as preferiram os seus próprios métodos e amorteceram o processo de crescimento eficaz da Igreja. O retorno ao discipulado dinâmico e bíblico é o grito de Deus para os nossos dias; o que nos resta é a obediência para que a Igreja cumpra a sua missão, sobretudo da Grande Comissão.

Problemas que vivenciamos

Primeiro – É a admiração estética em que se coloca a homenagem no lugar da obediência. Dá-se a Ele louvor em vez de submissão.

Segundo – É a postura antiautoridade de nossa época. A própria ideia de obedecer a ordens suscita oposição.

Terceiro – Aspecto é o grande abismo da mudança cultural que separa a Galileia do primeiro século do século presente. Os problemas diários enfrentados por um morador de uma grande cidade são totalmente diferentes dos cidadãos de Cafarnaum da época de Jesus?

Quarto – Aspecto de barreira para o discipulado contemporâneo autêntico são os modelos distorcidos atuais. Para muitas pessoas, a igreja institucional é um estorvo, e não um meio de discipulado.

Se há quatro barreiras para o verdadeiro discipulado, pode-se dizer que há quatro caminhos que todos precisam como demanda de uma demonstração divina para o discipulado.
A primeira é a renúncia pessoal – O próprio Deus encarnado mostrou o caminho aos seres humanos. A sua entrega não foi imposta, foi voluntária, ninguém tomou nada dEle, que Ele renunciou, Ele o fez de livre e espontânea vontade.

A segunda é a adaptação pessoal – Jesus identificou-se totalmente à condição humana. Não era um anjo fingindo ser homem, foi de fato um de nós, em essência e em detalhes, tanto que não encarnou como um ser humano de alto escalão, mas como um escravo.

A terceira é a submissão pessoal – A passagem de Filipenses 2.8 diz: “… a si mesmo se humilhou”. Ele mostrou que ser grande em seu reino é ser servo de todos/as. Isso é o oposto do egoísmo e da autogratificação, isso é humildade, ou seja, é a disposição de buscar o benefício de outrem em vez do benefício próprio.

A quarta é o sacrifício pessoal – Submeteu-se a ponto de morrer, e morte de cruz!

O principal objetivo de Jesus sempre foi desenvolver Seu ministério até o tempo em que Seus discípulos teriam de substituí-lo em seu trabalho, saindo pelo mundo levando o evangelho de redenção. Esse plano foi deixado progressivamente claro, enquanto os discípulos O seguiram.

Que seja este o novo alvo todos os dias.

Pr. Eliel Cordeiro
6ª Região Eclesiástica