Transformando a sociedade por meio da transformação do ser humano

“Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos. Se envelhecer na terra a sua raiz, e o seu tronco morrer no pó, ao cheiro das águas brotará, e dará ramos como uma planta” (Jó 14.7-9)

No dia 2 de setembro, nós celebramos 88 anos de autonomia da Igreja Metodista no Brasil, que tem uma missão e, ao mesmo tempo, um grande desafio: transformar o ser humano e, por sua vez, a sociedade. No meu entendimento, vejo que essa foi a missão assumida pelo Rev. John Wesley e o povo chamado Metodista no século XVIII que levou à transformação da Inglaterra.

Quando olhamos para o nosso Brasil tremendamente sujo, na lama da corrupção que invade os setores político, empresarial e até mesmo o setor religioso, inclusive nossa denominação, ficamos boquiabertos/as e ao mesmo tempo paralisados/as com tanta falta de compromisso, de transformação e de testemunho cristão.

No entanto, isso não deve nos desanimar, pois a Palavra de Deus é profética quando afirma: “Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos. Se envelhecer na terra a sua raiz, e o seu tronco morrer no pó. Ao cheiro das águas brotará, e dará ramos como uma planta (Jó 14.7-9).

O movimento metodista surgiu na Inglaterra como um movimento que trazia não apenas o valor da vida eterna e salvação, mas também trazia o grande desafio da transformação da sociedade por meio da transformação do ser humano. John Wesley não foi apenas um reformador espiritual, mas também um grande reformador social.

Hoje, nós temos uma sociedade brasileira extremamente doente pela falta de ética, suja de corrupção, enveredada e viciada nas drogas, que gosta da superficialidade e vive no mundo das ilusões e fantasias. Tudo isso nos traz um grande desafio missionário, mas até que ponto não estamos assim também? Até que ponto não vivemos no nosso mundinho alienado e alienando?

Uma Igreja Metodista autônoma não pode perder de forma alguma a sua voz profética, seu espírito de santidade, sua visão missionária que transforma o ser humano, a família, a sociedade de modo geral. É a velha pergunta que se faz: somos espelhos para o mundo ou o mundo é espelho para nós?

O movimento metodista não levou apenas a fé para o povo, mas também levou várias ajudas para as famílias, para as crianças carentes que não tinham escolas, para os/as doentes e enfermos/as que não podiam pagar tratamentos ou médicos, combateu a escravidão, a exploração, os vícios e tantos outros males daquela sociedade. E nós, o que estamos fazendo pelo nosso povo brasileiro?

A Igreja Metodista nunca caminhou na lógica desse mercantilismo religioso que existe hoje nos arraiais brasileiros, mas sempre ofereceu alternativas muito mais profundas. Você sabia que em plena revolução industrial o povo metodista incentivou a necessidade de segurança e proteção para os/as operários/as que enfrentavam perigos das máquinas, condições anti-higiênicas no trabalho e enfermidades? Proteção à velhice, direitos dos/as empregados/as, proteção ao/à trabalhador/a do campo e sua família, reabilitação de transgressores/as da lei e tantas outras causas sociais?

A Igreja Metodista sempre se esforçou para apoiar e eliminar as animosidades e preconceitos contrários ao espírito e aos ensinos de Jesus Cristo para transformação do ser humano e da sociedade.

Portanto, quando caminhamos num Brasil de tanto desânimo e de tantas práticas de corrupção, num Brasil de tantas mortes precoces no trânsito, de tantas vítimas da violência, do tráfico de drogas, de esposas sendo assassinadas pelos próprios esposos, que deveriam protegê-las, de crianças abusadas pelos próprios parentes e tantos outros absurdos, não podemos nos acomodar nem calar nossa voz e ação profética como uma Igreja Missionária a Serviço do Povo. Essa é e sempre será nossa missão!

Bispo Roberto Alves de Souza
Presidente da 4ª Região Eclesiástica