Orientação à 1ª Região Eclesiástica para as Eleições 2018

Estamos em pleno ano eleitoral em nosso país, e como Igreja cuja forma de governo é episcopal, recomendamos que os discípulos e discípulas de Jesus, membros do corpo de Cristo na 1ª Região Eclesiástica da Igreja Metodista, estejam atentos/as às orientações contidas na Carta Pastoral Sobre Eleições 2018 (“As eleições e o povo chamado metodista”).

Leia com atenção, a seguir, a transcrição do item 6 da carta pastoral, após o que, apresentaremos algumas orientações mais específicas com vistas ao exercício da cidadania na 1ª Região Eclesiástica de modo responsável e equilibrado.

“Sem lenha, o fogo se apaga; e, não havendo maldizente, cessa a contenda”. (Pv 26.20).

Tanto o corpo pastoral quanto os membros das igrejas possuem o direito à opinião e à livre manifestação de suas preferências quanto a candidatos/as e partidos. É um direito constitucional, inclusive. No entanto, o exercício deste direito deve respeitar a máxima bíblica do amor e do respeito entre irmãos e irmãs. A lei assegura que as igrejas não podem ser espaço de promoção de candidatos nem currais eleitorais. Portanto, o púlpito está vedado à propaganda política de qualquer candidato/a, embora outros espaços de debates possam ser abertos, desde que respeitem a variedade das posições existentes, sempre no espírito democrático de ouvir posicionamentos diferentes. As redes sociais de pastores e pastoras e de metodistas não expressam o pensamento da denominação como um todo. Ocorrendo em paz, o debate poderá nos ajudar não apenas no voto, mas no crescimento da consciência cidadã e democrática”.

Recomendações:

1- O direito constitucional à opinião e à livre manifestação não deve ser causa de divisão no corpo de Cristo. Membros clérigos e leigos devem viver e expressar, antes de tudo, os princípios do Reino de Deus, os quais são “justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).

2- Ainda que os partidos políticos sejam organizações legalmente constituídas para o exercício democrático, não devemos nos devotar aficcionadamente a essas instituições, como se Jesus Cristo houvesse dito que edificaria o Seu partido político. Não! Ele disse: “edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Não faça do partido político a sua igreja.

3- O ambiente cúltico é espaço destinado à realização do culto a Deus, à pregação da Sua Palavra, à ministração dos sacramentos e à promoção da fraternidade e da disciplina cristãs, visando ao desempenho do testemunho e serviço no mundo. Logo, é vedada a promoção de qualquer pessoa como sendo “o/a candidato/a da Igreja”, bem como é proibida a utilização do apoio e da estrutura da Igreja para distribuição de material de campanha eleitoral, o que pode configurar abuso de poder econômico.

4- Se, em ambiente cúltico ou em qualquer programação relacionada à estrutura regional, distrital ou local no âmbito da 1ª RE, algum/a candidato/a pedir oração, isso não lhe será negado: a oração está sempre em ordem. Todavia é vedada a declaração de apoio político nesses ambientes e/ou programações.

5- O contexto de radicalização e polarização política cada vez mais presente em nosso país se opõe à razoabilidade. Por isso, a interpretação pessoal do contexto político não pode se transformar em brecha para sentimento faccioso. Assim, a utilização de redes sociais por pastores e pastoras, bem como pelos demais membros da Igreja Metodista, devem ocorrer com sabedoria e mansidão: “Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras” (Tg 3.13).

6- “O pastor e a pastora zelam para que as atividades e programas de suas igrejas ou ministérios não se prestem à propaganda eleitoral ou à doutrinação político-partidária.” (Artigo 33 do Código de Ética Pastoral).

7- “A pastora e o pastor que desejarem candidatar-se para exercer alguma função político-partidária, solicitam ao Bispo ou à Episcopisa, licença do exercício do pastorado.” (Artigo 34 do Código de Ética Pastoral).

A crise de autoridade e integridade que assola o Brasil há anos tem sido algo crônico que gera iniquidade e injustiças. Mas a Igreja é conclamada a crer naquele que chama à existência as coisas que não existem. Nessa fé, devemos clamar a Deus em favor da nossa nação para que de fato haja Ordem e Progresso e reine a Paz entre o povo do Brasil, a quem o Senhor quer bem.

Quando se multiplicam os justos, o povo se alegra, quando, porém, domina o perverso, o povo suspira” (Pv 29.2).

Feliz a Nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que Ele escolheu para sua Herança.” (Sl 33.12).

 

Fraternalmente em Cristo,

 

Rio de Janeiro, 04 de setembro de 2018.

 

Bispo Paulo Rangel dos Santos Gonçalves

Presidente da 1ª Região Eclesiástica e

Ministério de Ação Episcopal