Nos caminhos da Luz, seguimos com integridade!

“A fé é um modo de já possuir aquilo que se espera, é um meio de conhecer realidades que não se veem” (Hb 11.1)

Que afirmativa maravilhosa essa. A fé nos permite já viver aquilo que ainda não vemos, mas que Deus já nos disse que é herança de todas e todos: adoção em Cristo, conduta aos céus, libertação, perdão de pecados, santidade e “o Espírito Santo, que é a garantia da nossa herança” (Ef 1.13-14), e tudo por meio da Graça do Deus de amor (Ef 1.2-14). É uma graça sem limite esta de Deus. Quem quer recebe o Seu favor. Esta é a nossa fé e por ela vivemos. Graças a Deus por Jesus Cristo. Disto bem sabemos. A pergunta é: como viver segundo esta fé nos tempos de século XXI, com tantos desafios?

É sabido que a Idade Média foi um tempo de trevas para o desenvolvimento de praticamente todas as áreas da vida humana. A ética vigente era a da fé cristã. Esperava-se que fosse um ponto positivo, não? Entretanto, essa ética vinha acompanhada de uma negação enorme por parte daqueles/as que a estabeleciam. Cabe aqui o famoso dito: faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço. Pois é. A situação agravava-se ainda mais quando as pessoas que ditavam a ética eram as mesmas que detinham o poder sócio-político-econômico. Portanto, exerciam todo tipo de reprimenda a quem discordasse do governo estabelecido.

Fato é que, em nome de Deus, matou-se uma imensidão de pessoas por discordarem das ideias da governança. A justificativa? Exterminar aqueles/as que “tinham parte com o demônio”. Na verdade, era só haver modo de pensar diferente que se condenava, julgava e assassinava. Aquele/a que condenava era o/a mesmo que julgava. Adivinhe quem sempre tinha razão?

Foi nessa época que se estabeleceu a Santa Inquisição: julgar pensamentos e ideias apontados como profanos, satânicos e “perigosos”. O cientista Galileu Galilei, para escapar da morte por fogueira, teve que negar sua convicção de que a terra é quem girava em torno da lua. As ciências eram consideradas afronta a Deus, e não poucos/as perderam a vida por causa disso. Julgava-se e condenava-se em nome de uma verdade absoluta da fé. Fé cristã não é para dominar, exterminar, punir, destruir, ameaçar, enquadrar, perseguir quem quer que seja. A fé abre os nossos olhos para Deus e para toda a Sua Criação. Fé cristã traz vida, e não morte.

Nestes nossos dias de século XXI, observamos a decadência da ética e da moral. Temos o certo por errado e o errado por certo. A violência aumenta assustadoramente (no último fim de semana que antecedeu o dia em que escrevo este texto, a filha de uma amiga sofreu séria violência por parte do namorado – ambos de classe média alta). A pobreza cresce. Crianças padecem de abandono, fome e carência. A corrupção de poderes estabelecidos está à mostra. Igrejas experimentam divisões e competição. Cristãos e cristãs usam as redes sociais com modos que não são os de Cristo. Cristãos/as brigam entre si por causa de time de futebol.

Eu poderia enumerar várias outras situações que nos deixam perplexos/as. Mas o que quero ressaltar é que temos optado por enfrentar essas situações de modo medieval: julgamos e decidimos que o melhor é matar, humilhar, rechaçar, eliminar todas e todos que não pensam “como eu”. Tende-se a radicalismos de toda natureza. Em nome da fé no Deus trino, parte-se para agressão, exclusão, intolerância, perseguição, inimizade, intriga. Será mesmo esta a parte que nos cabe “neste latifúndio”?

Não, não é! Jesus deu a sua vida por nós. Não bastando tanto amor, enviou o seu Espírito Santo para ser nosso consolador. É também neste nosso tempo que o PENTECOSTES nos guia à salvação. O Espírito Santo foi derramado sobre toda a terra. Ele torna possível a vida de Cristo em nós! Em verdade, JESUS CRISTO NÃO MUDOU! Ele é o mesmo ontem, hoje e o será amanhã. Seja em que tempo for, Jesus permanece Salvador e Senhor. E o Espírito derramado é quem pode santificar a nossa vida, permitindo que não arredemos pé da legítima fé cristã. É este poder que nos permite enfrentar as mazelas deste mundo sem abrir mão de nenhum dos ensinamentos do Senhor Jesus. O mundo anda meio de cabeça para baixo? É possível. Entretanto, o nosso Deus é o mesmo em qualquer tempo. O plano dEle para nós não se alterou. Não temos poder para dar conta de todas as agruras que o dia a dia nos traz; mas o Senhor o tem. E sobre nós derrama do seu Espírito.

Há um número quase incontável de exemplos bíblicos do agir de Deus por meio de nós, quando somos capacitados/as pelo Seu Espírito. Tomarei só este (depois você mesmo/a pode fazer a sua pesquisa e crescer no conhecimento do que é andar com Deus). Um texto bíblico bem conhecido e divulgado é o de Gl 5.16–26. As escrituras deixam claríssimo quais são as ações de uma pessoa sob o poder do Espírito Santo: o fruto do Espírito (o fruto é um só, formado por gomos como os de uma laranja): amor, alegria, paz, paciência, bondade, benignidade, fé, mansidão e domínio de si). Também explicita como é viver segundo nossa própria compreensão e força: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, discórdia, ciúme, ira, rivalidade, divisão, sectarismo, inveja, bebedice, orgias e semelhantes.

Qual será a nossa escolha? Que trilha queremos para nossa vida? Quem pode nos guiar em nossos relacionamentos, trabalho, vida familiar, igreja, namoros, casamentos? Só o poder do Espírito nos permitirá repudiar toda e qualquer “Santa Inquisição”. E nos levará a dar a nossa vida para que o mundo veja a Luz.

Bispa Marisa de Freitas Ferreira
Presidente da Região Missionária do Nordeste