Carta de orientação ao povo metodista na 1ª Região Eclesiástica

A Igreja Metodista na Primeira Região Eclesiástica, representada nesta carta pelo seu Presidente Reverendíssimo Bispo Paulo Rangel dos Santos Gonçalves, e seus assessores e assessoras, os/as Superintendentes Distritais, vêm orientar o povo metodista de sua jurisdição acerca de texto recentemente publicado em Redes Sociais com o título “LGBT Metodistas, existimos e resistimos”.

Preliminarmente, cabe informar que o uso do símbolo da Igreja Metodista do Brasil sugerindo associação oficial com qualquer grupo ou movimento sem autorização dos devidos órgãos competentes é caracterizado de todo como indevido. Pelo uso da “cruz e chama” nas cores comumente utilizadas por grupos LGBT, muitas pessoas estão questionando se a Igreja Metodista do Brasil definiu apoio aos movimentos homossexuais, o que não é verdade. Como responsáveis pelo pastoreio dos / das metodistas na 1ª RE, declaramos nossa indignação a respeito da tentativa de associarem a Igreja Metodista a um grupo ou movimento sem que essa seja uma decisão de seus concílios, instâncias e autoridades competentes.

Não tomamos tal atitude exclusivamente por se tratar de LGBT, mas por uma associação não autorizada, o que para nós da 1ª RE fragiliza a Igreja Metodista do Brasil, uma vez que assim, grupos de qualquer ideologia poderão se articular e, sem processo de acolhimento e reconhecimento formal da instituição, associarem indevidamente suas bandeiras a nós. Esse é um caminho perigoso. Destacamos e valorizamos a liberdade de expressão, de conquista tão cara no nosso país, mas entendemos que a expressão e opção de indivíduos não podem sugerir uma associação formal com o uso de símbolos e nome da Igreja Metodista.

Sobre o tema da homossexualidade, permanece em vigor a Carta Pastoral ‘A Igreja e a Questão da Homossexualidade’ assinada pelo Colégio Episcopal, onde a posição oficial, baseada nos textos bíblicos mencionados no referido documento, é a de que para nós, metodistas brasileiros, a prática da homossexualidade afronta os princípios divinos, sendo, portanto, considerada pecado diante de Deus. É pecado porque de acordo com a ideologia de gênero os seres humanos nasceriam “neutros” e poderiam, ao longo da vida, escolher ou descobrir seu gênero sexual. A sigla ‘LGBT’ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) é resultado de uma característica da ideologia que é a da multiplicidade dos gêneros, ou seja, a existência de vários gêneros sexuais mais complexos, além do masculino e feminino, o que também é um equívoco para a nossa interpretação bíblica e a própria ciência biológica, como atesta a Associação Americana de Pediatras e diversos outros órgãos. Na biologia não há gênero, mas macho e fêmea. Gênero é algo gramatical para distinções. Mesmo que um macho decida pensar e se comportar como fêmea, ou o contrário, isso não altera seu sexo; logo, opção pela alteração da ordem natural é pra nós pecado e o respeito e liberdade de expressão não podem ser relativizados quando são contrários ao que um grupo quer impor. Respeito e liberdade de expressão não podem possuir apenas uma via, como se quer instituir no Brasil sobre o tema da homossexualidade. Usar como referência decisões de algumas Conferências (Regiões Eclesiásticas) da Igreja Metodista Unida não é determinante para nosso debate. Temos relações fraternas e missionárias com a Metodista Unida, mas destacamos nossa caminhada autônoma desde 1930. O debate sobre a homossexualidade na Igreja Metodista Unida já dura 40 anos e, mesmo assim, ainda não decidiram o que fazer; portanto, decisões isoladas de algumas Conferências não nos norteiam.

Por fim, quero destacar, como Bispo da 1ª Região Eclesiástica, que iremos seguir baseados nos fundamentos bíblicos e orientações da ‘Carta Pastoral sobre Homossexualidade’, produzida pelo Colégio Episcopal para afirmar que não são reconhecidos ministérios específicos LGBT em nossas igrejas locais, que não reconhecemos ministros ou ministras que assumam práticas e bandeiras homossexuais, e que vamos continuar nosso desafio ministerial de acolher, sem distinção alguma, todas as pessoas com suas diferentes práticas de vida e devidas propostas de mudanças pelo contato com o Evangelho de Jesus, o Cristo.

Nosso pronunciamento é para que não haja dúvidas nos limites da 1ª RE de como a Igreja Metodista do Brasil pensa e age, e nossa opção é porque o amor de Deus sempre nos propõe correções na vida, para nossa felicidade, ordem, e Glória d’Ele.

Rio de Janeiro, 21 de outubro de 2017.

Bispo Paulo Rangel dos Santos Gonçalves
Presidente da 1ª Região Eclesiástica